Dimanite Club volta após 9 anos

Dimanite Club  volta após 9 anos

Dimanite Club, após 9 anos, volta com disco sobre desgaste, luto e o custo de seguir em frente

Terceiro trabalho da banda, lançado via Crocante Records, marca a estreia da formação em trio em estúdio e transforma luto, exaustão, ansiedade e mudanças dos últimos anos em 10 faixas atravessadas por peso, catarse e permanência

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Fotos: Bruno Massao

Depois de nove anos sem lançar um álbum cheio, o Dinamite Club retorna com Cortisol, terceiro disco da carreira e primeiro da atual formação em trio, com Bruno Peras no vocal e baixo, Márcio Rodrigues na guitarra e vocal, e Jaime Xavier na bateria. O trabalho, lançado pela recém-criado selo Crocante Records, reúne 10 músicas escritas ao longo de um período atravessado por luto, burnout, ansiedade, internação, pandemia, mudanças de formação e isolamento.

Ouça nas plataformas aqui: ps.algohits.com/cortisol

Formado em 2010, o Dinamite Club cresceu no circuito independente brasileiro com uma identidade moldada entre o punk, o pop punk e o emo, apoiada em refrãos fortes e letras sobre afetos cotidianos. A trajetória começou com “Tiro & Queda”, de 2013, passou pelo EP “Do Começo Não Dá Para Enxergar O Fim”, de 2016, e ganhou novo alcance com “Nós Somos Tudo o Que Temos”, lançado em 2017 pela Hearts Bleeds Blue. Nesse percurso, a banda também abriu turnês brasileiras de nomes como The Story So Far, Neck Deep e The Wonder Years.

Cortisol parte justamente do que aconteceu depois. Entre o segundo e o terceiro álbum, a banda perdeu Leon, integrante fundador falecido em 2018, passou por duas mudanças de formação e atravessou o impacto subjetivo e prático da pandemia. O novo disco é resultado direto desse acúmulo. Em vez de repetir a lógica mais ensolarada que ajudou a consolidar o nome do Dinamite Club, o trio entrega seu trabalho mais denso e pesado até aqui, tanto no som quanto nas letras.

Para Márcio Rodrigues, manter uma banda por tanto tempo já virou, em si, uma experiência de resistência. “É cada vez mais desafiador conciliar o tempo e a energia necessária pra manter uma banda com a vida adulta que acelera e massacra a gente.”

Rodrigues também diz que esse contexto mudou o peso de tudo que ainda acontece em torno do Dinamite Club. “Cada ensaio, cada show, seja uma celebração, um momento muito rápido, muito passageiro, de uma lógica de mais longo prazo, de muita resiliência que envolve manter uma banda.”

Essa percepção organiza boa parte do álbum. Segundo Márcio, o disco funciona como uma descarga de emoção represada e como um realinhamento do próprio lugar da banda. “É um disco com muita concentração de sentimento e energia.”

Ele ainda resume a mudança estética sem rodeios: “É o disco mais pesado da nossa história e, do ponto de vista da letra, também é mais confessional.” Para o guitarrista, insistir no antigo filtro otimista depois de tudo o que aconteceu teria soado falso. “A gente nunca ia conseguir negligenciar tudo que a gente passou nesse período pra só continuar falando sobre coisa boa. Seria um pouco desonesto da nossa parte.”

A mudança de formação pesa diretamente nesse resultado. Cortisol é o primeiro álbum cheio concebido já com a banda funcionando como trio, o que obrigou o Dinamite Club a rever sua lógica de composição, o papel da guitarra única, o espaço do baixo e o encaixe das vozes ao vivo. Não se trata só de um disco feito depois de muito tempo, mas de um disco feito a partir de uma reorganização interna profunda.

Na visão de Bruno Peras, esse processo foi também uma espécie de catarse. “Esse disco realmente foi uma catarse nossa, ele é fruto justamente desse sentimento contra tudo e contra todos.” Ele resume o nascimento do álbum como uma vitória contra o acúmulo de interrupções e dificuldades. “Tudo na nossa história sempre tinha um porém, alguma situação, alguma dificuldade, e pra gente ver esse disco nascer é um momento muito importante.”

Essa lógica também ajuda a explicar uma decisão estratégica da banda. Em vez de fragmentar o lançamento em vários singles prévios, o Dinamite Club preferiu apresentar o álbum como obra inteira.

A intenção, segundo Peras, é experimentar outros caminhos de circulação para uma banda independente, deixando para trabalhar faixas específicas no pós-lançamento, a partir da resposta do público e da experiência dos shows.

Dentro dessa estratégia, “Invisível” foi escolhida como primeira música de trabalho no cadastro do disco por funcionar como ponte entre passado e presente. Segundo o material da banda, a faixa dialoga com a linguagem que o Dinamite Club já vinha construindo, mas também aponta para a nova fase. A partir dali, a ideia é observar quais músicas ganham mais força na escuta do público e no palco, e organizar a divulgação do álbum em camadas.

A arte de “Cortisol” reforça esse mesmo discurso. Assinada por Jaime Xavier, baterista da banda, a capa traz uma cabeça formada por comprimidos, imagem ligada ao esforço de sobreviver psiquicamente a um período marcado por perdas, pandemia, tratamento terapêutico e medicação. “Não dá pra ser positivo sempre, mas vamos tentar fazer o melhor com o que a gente tem”, resume Jaime no material de apoio. Em um momento em que capas geradas por inteligência artificial se multiplicam, ele também destaca que a arte foi desenhada à mão e depois digitalizada.

Na produção, o álbum contou com Ali Zaher Jr. (baixista do CPM 22), responsável também pela gravação, mixagem e masterização no Sunrise Studios. O disco ainda traz a participação de Renan Sales, da Metade de Mim, em “Hoje, Só Amanhã”.

Ao voltar com Cortisol, o Dinamite Club fala, sim, de superação e, indiretamente, tem aura de nostalgia. O disco, no entanto, é mais interessante porque não disfarça desgaste, perda e desalinhamento. Ele parte da experiência concreta de seguir em frente quando a vida adulta, a saúde mental e o tempo já mudaram o lugar de tudo.

Dinamite Club: biografia

Formado em 2010, o trio composto por Bruno Peras (voz/baixo), Márcio Rodrigues (guitarra/voz) e Jaime Xavier (bateria) dá vida ao Dinamite Clube que, habitualmente, faz uso de uma frase já conhecida pra se definir: "muito pop pro punk, muito punk pro pop".

Conhecido pela versatilidade das músicas e letras inspiradas nos menores e mais profundos sentimentos da vida cotidiana, em 2013 o grupo lançou seu primeiro disco chamado "Tiro & Queda" que o colocou no cenário da música independente nacional e, somado ao EP e vinil 7" intitulado "Do Começo Não Dá Para Enxergar O Fim", lançado em 2016, o Dinamite Club visitou lugares novos do Brasil após ser convidado para abrir turnês brasileiras de bandas referentes do pop-punk mundial como The Story So Far, Neck Deep e The Wonder Years.

Em 2017, via Hearts Bleeds Blue, a banda lançou seu segundo disco chamado "Nós Somos Tudo o Que Temos" que permitiu com quem atingissem um novo patamar entre as bandas do gênero, fazendo shows com as maiores bandas do cenário independente e tocando em algumas das principais casas de show e festivais do Brasil.

Depois da coletânea lançada em 2020 que reunia músicas dos primeiros EPs, em 2026 o Dinamite Club vive um novo marco por meio do lançamento do disco "Cortisol" via Crocante Records.

Este lançamento, o primeiro da formação em trio, marca a exploração de um lado mais confessional das letras e uma proposta musical que varia entre um lugar mais pesado do ponto de vista instrumental mas também mais denso, cadenciado, sem deixar de abrir mão da energia que fez a banda ser conhecida.

Ao longo dos 16 anos de existência, o Dinamite Club viveu muitas turbulências envolvendo integrantes, perdas e um sentimento de que para continuar vivo é preciso fazer um esforço diário para encontrar o lado bom das coisas e sabedoria para lidar com os ruins.

É com esta mensagem que, após o lançamento do disco "Cortisol", que o grupo quer visitar os lugares que não vai há anos e conhecer novos pelo Brasil.

CORTISOL

Arte: Jaime Xavier

Ficha técnica

Dinamite Club é

Bruno Peras - Vocal & Baixo

Márcio Rodrigues - Guitarra & Vocal

Jaime Xavier - Bateria

Musicas por Dinamite Club.

Letras por Bruno Peras e Márcio Rodrigues

Participação especial: Renan Sales (Metade de Mim) em "Hoje, Só Amanhã"

Coro: Márcio Rodrigues, Jaime Xavier, Rachel Lage, Giovanna Andreoli, Ricardo Chavasco e Giulia Napolitano

Produzido por Ali Zaher Jr.

Gravado, mixado e masterizado por Ali Zaher Jr. nos Sunrise Studios

Arte: Jaime Xavier

Fotos: Bruno Massao

Selo: @crocanterecords

Ouça também no Bandcamp: dinamiteclub.bandcamp.com/album/cortisol

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Fotos: Bruno Massao

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Fotos: Bruno Massao

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Fotos: Bruno Massao

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Contato para a imprensa

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