Akil Godsey aprendeu a projetar a voz entre cultos batistas, coral e teatro musical. À frente do End It, uma das bandas interessantes do hardcore atual, transformou essa formação em uma assinatura rara, acompanhada por letras sobre desigualdade, colonialismo, violência institucional e responsabilidade individual.
A New Direction Productions e a DTG anunciam agora a estreia do End It na América Latina. No show único no Brasil, a banda será a atração do Festival Hardcore São Paulo 2026, dia 17 de outubro, na rua Riachuelo, 194, na Sé. Os ingressos estão disponíveis pela Fastix.
Formado em 2017 e ligado à Flatspot Records desde os primeiros lançamentos, o End It reúne Akil Godsey nos vocais, Ray Lee na guitarra, Patrick Martin no baixo e Chris Gonzalez na bateria. A sonoridade é um hardcore beatdown, com muitas referências ao Terror.
A banda combina a pressão do hardcore da Costa Leste dos Estados Unidos com referências da tradição de Baltimore, passagens de thrash e uma interpretação vocal marcada pela formação de Godsey em igreja, coral e teatro musical.
Essa combinação explosiva foi reforçada pela repercussão de Wrong Side of Heaven, seu primeiro álbum completo lançado em agosto de 2025.
Wrong Side of Heaven foi escolhido como álbum da semana pela Stereogum, recebeu nota 9 da revista britânica Clash e entrou na seleção dos 50 melhores discos de 2025 da Alternative Press. O lançamento também inclui uma versão de “Could You Love Me?”, do Maximum Penalty, referência nova-iorquina que ajuda a situar o diálogo do End It com diferentes gerações do hardcore.
Antes do álbum, o EP Unpleasant Living, de 2022, já havia ampliado o alcance da banda com seis faixas diretas, entre elas “New Wage Slavery”. A música passou a integrar a trilha oficial do jogo Tony Hawk’s Pro Skater 3 + 4, lançado em 2025, ao lado de nomes de diferentes vertentes do punk, rock e hip-hop. No mesmo período, o End It abriu apresentações de Blink-182 e Alkaline Trio nos Estados Unidos.
Do coral ao palco
Nos shows, a voz de Akil Godsey funciona como eixo de uma apresentação ríspida e calorosa. O vocalista costuma iniciar as performances cantando trechos a cappella de repertórios externos ao hardcore antes da entrada da banda, recurso que aproxima sua formação musical da intensidade coletiva do palco.